terça-feira, 12 de agosto de 2008

máquinas destrutivas

a construção de um planeta coberto de concreto, metal e gás carbônico
onde criam-se máquinas para auxílio de uma sociedade massificada
e onde se trabalha por e para elas.
uma superprodução destinada a uma superpopulação consumista
e extremamente capitalista com um estômago sem proporções.
não medindo seus atos, colocam em perigo não só a sua espécie,
mas tantas outras, que na sua concepção, são inferiores.
assim como a era industrial, virá rapidamente também o
final desse planeta que se tornará apenas poeira
onde os homens pensam ser maiores
que a natureza e que os próprios homens.

sábado, 9 de agosto de 2008

para onde foram as palavras?
aquelas que me sufocavam à noite,
sem espaço entre um pensamento e outro
sinto-me muda, silenciada por teus gestos duros
que me impedem de durar mais
grito no meu silêncio próprio,
a vontade de desejar tão pouco
a ponto de se tornar pó
e a parte que já não me pertencia,
joguei fora junto com a merda do gato.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

bomba-relógio

tic-tac tic-tac
tic-tac tic-tac
tic-tac tic-tac..



(prestes a explodir)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

derrama teu corpo inteiro na minha boca
o teu cheiro nos meus dedos
o teu gosto na minha pele
tuas mãos no meu rosto
tuas unhas vermelhas nas minhas costas
tua temperatura, a tua cura

ah! os teus suspiros
os teus gemidos, quero ouvir um grito
um pedido de abrigo
que é pra eu te prender aos meus braços
pra eu te apertar contra meu corpo incasto
devorar tudo que vem de ti

arrancar tuas roupas, tua distância
trocar com as minhas, as tuas pernas
tomar os teus olhos pros meus
torna-me si, em mim
minha parte inteira te.

terça-feira, 3 de junho de 2008

corpo em movimento, um pé após outro
olhar estático, apenas o concreto empoeirado
só se ouve o barulho das moedas que dançam no bolso
e a sensação do ar pesado entrando no pulmão.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

não quero chegar a limite algum da loucura
apenas não quero estar sã.

quinta-feira, 6 de março de 2008

caos diário;

as pessoas andam cansadas, exaustas, esgotadas
elas andam apressadas, impacientes, conformadas
andam, param, esperam, sobem, descem
perguntam, passam, pedem, pensam
escutam, olham, ouvem, falamsentem, encaram, reclamam.

as pessoas andam com medo de nada, com medo de tudo
contando piadas, contando absurdos
contando pessoas, contando coisas a toa.

as pessoas andam frustradas, saturadas
já não sabem mais pedir, agradecer, oferecer
elas andam sem saber o que dizer, o que querer
elas brigam, gritam, choram por se arrepender
julgam, mentem, desmentem e juram não saber.

Marina Freitas, 04 de março de 2008.